sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

No espelho


Ele gostaria de receber mais atenção de todos. De receber mais visitas, ligações, mensagens. Mas ninguém sabe. Isso porque ele finge que não se importa se vão ou não o ver, se o ligam ou não. Fica sempre fechado, olhando pra si mesmo no espelho, contemplando sua solidão. Mas como alguém poderia se importar com tanto orgulho em pessoa? Tanto egoísmo em uma mão? Ele finge que não sabe o motivo. Mas por dentro o garoto solitário grita e chora, pedindo por um abraço, um afago. Algum carinho. Enquanto que por fora segue afastando todos que ainda tentam dar a ele algum amor. Seu orgulho não o deixa admitir, mas ele sabe que viver isolado não ajuda em nada, só aumenta sua solidão. Mas um dia ele vai perceber que a sociedade existe não só pra encher seu saco, como também para ajudá-lo a sair dessa sua prisão de si mesmo, onde ele fica de longe. Sofrendo calado.

domingo, 25 de dezembro de 2011

A garota da festa

    A garota tinha seus olhos enormes e brilhantes enquanto voltava para casa no carro de seu pai, com quem tinha ido à festa. Olhava para todas aquelas luzes, as mesmas que seu mais novo amado viu, enquanto voltava para casa. Ela sabia que enquanto pensava nele, ele pensava nela. Seu sorriso era indescritível, aquele garoto não saía de sua cabeça.
    Chegando a sua casa, foi correndo ao quarto, onde começou a rodar e a rodar, dançando sozinha. Seu vestidinho amarelo rodava aos passos dela, como numa volta de valsa. Olhando pro espelho, ficava pensando em quando o veria de novo. Passou pela sua mente uma vida inteira. Que começou naquela festa, quando o rapaz a olhou e sorriu. As luzes da festa não ajudavam muito, mas ela o via e gostava daquilo. Sorria de volta sempre que ele a olhava, como se dissesse “vem dançar também, é só se soltar”.
    Depois de tomar umas três ou quatro tequilas, seu corpo não sentia mais cansaço, ela dançava enlouquecida.  E ele sempre lá, observando de longe aquela garota que encantava todos com sua alegria e seu sorriso. Quando menos esperava, lá estava ele junto dela, que balançava pro lado dele, sempre sorrindo. Ela sabia que estava envolvida por ele, e que era correspondida. Tomou-o pela mão e o levou para um lugar mais calmo, onde poderiam conversar.
    Horas de conversa depois o rapaz a abraçou e suas bocas se encostaram e um beijo aconteceu. Na sua cabeça tudo parecia passar devagar. As luzes, as pessoas, até a música. Tudo passava devagar. Não havia dúvida: ela se apaixonara. Mas como num sonho bom que você acorda na melhor hora, ele teve que ir. Seus olhos fitavam sua camisa branca indo além da porta de saída. Seus passos vagarosos e uma última troca de olhares antes de eles não terem certeza de que se veriam outra vez, algum dia. Depois disso, ela não o tirou mais da mente, até que seu pai a chamou e ela entrou no carro.




*Não sei vocês, mas para mim, a Serena Van der Wodsen (Blake Lively) de Gossip Girl, é uma das garotas mais espontâneas que já vi, então, quem melhor para representar a garota da festa que ela, não é?


sábado, 24 de dezembro de 2011

Voltando sozinho.


 
    Ele voltava da festa, sozinho na rua. A camisa estava quase toda aberta e nem usava mais a gravata. Seus pensamentos estavam em muitos lugares, próximos e distantes. O Brooklyn estava iluminado naquela noite, e ele se encantava com todas aquelas luzes. Uma brisa leve o levava a memórias remotas, escondidas em sua mente. Pessoas que o marcaram, momentos alegres, até as brigas sem sentido.
    A caminhada seria longa, mas ele não se importava. Não trocaria por nenhum taxi a sensação que estava sentindo enquanto caminhava pela calçada larga da rua. Um sorriso veio ao seu rosto quando aquela garota veio a sua mente: “ela é demais,” pensou. Viu uns garotos conversando alto na esquina, talvez sobre o último jogo dos Yankees, não sabia ao certo. Lembrou de quando jogava com seu pai, na sua antiga casa, em Manhattan. Ah, seu velho era o melhor batedor. Nem mesmo os melhores batiam seu pai. Bateu aquela saudade, seu pai morrera há anos...
    As luzes não o deixavam olhar pra outro lugar a não ser pra cima. Onde ele via o céu cheio de estrelas, e sorria para elas, como se sorrisse para o Sr. Porth, seu falecido pai. Mas então lembrou que tinha consigo, não no momento, mas sempre ao seu lado, os melhores amigos que poderia ter. Desde que se mudou e os conheceu, nunca o deixam faltar carinho e afeto. E aquela garota, ah, aquela garota fantástica que conheceu naquela festa. O seu sorriso brilhava mais que a Times Square em noite de virada de ano. Ele não via, mas seus olhos brilhavam quando pensava nela. Chegando a sua casa, deu um abraço no seu cachorro, tirou a roupa, tomou um banho e foi deitar.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

                                                                                              Brejo Santo, CE 23/12/2011

    Querida J...

    Faz tempo que não nos vemos, lembro-me do último natal que passamos juntos, na rua, na festa... Depois disso você se foi, não me disse pra onde, eu só queria te desejar muita paz, amor, e que um dia você volte pra cá. De você ficaram as lembranças de quando a gente saía pra conversar na pracinha da igreja, quando todos achavam que estávamos gostando um do outro...
    Ontem andando pelas ruas, olhava para tudo: o céu estrelado e as árvores com enfeites. As luzes de Natal enfeitam a cidade e isso me lembra daqueles teus olhos grandes e brilhantes, que me eram duas grandes luas. Espero que esteja bem e que tenha um belo Natal. Tanto aconteceu enquanto você está aí fora. Sabe aquele bigode? Pois é, eu tirei, mas continuo o mesmo garoto magro e alto de sempre. Lembro que você não gostava nenhum pouco das garotas com quem eu andava, chamava-as de patricinhas. A gente sentava no mesmo banco da igreja, e conversava durante. E no carnaval, que você me pegou de surpresa? Ah, quero você por aqui de novo...
    Escrevo-te para dizer que sinto falta das nossas saídas, risadas e discussões sem rumo. Aprecio-te muito, minha querida.

                                                                                                                          Afetivamente,           
                                                                                                                        Kilder Cavalcante

domingo, 11 de dezembro de 2011

Informatividade x Futilidade


 É incrível que com tanto que acontece no Brasil: corrupção, intolerância e insegurança, canais passam a tarde e noite falando sobre a vida de quem não interessa. A televisão hoje não informa, só serve pra entreter o cidadão enquanto apanha de todo modo. O pior de tudo é que muita gente dá audiência a esses programas. Por isso que eles não saem do ar e continuam a bloquear a mente e a fechar os olhos do povo.
 Sem falar também na quantidade de novelas existentes. Elas estão no ar para te dar uma visão errada da vida, somente te prendendo ali, no sofá, para que você não veja o que acontece ao seu redor. O que está na sua cara. Tudo isso porque, num dialeto inculto, esses canais são ‘um bando de paus-mandados’ de políticos e grandes corporações, que devem pagar muito bem.
 As pessoas que dão audiência poderiam olhar mais ao seu redor e menos para frente da T.V.. A televisão brasileira precisa se dar ao valor!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Cidade da cegueira


 Sejam bem-vindos, todos vocês! Ladrões, temos muitos pobres para vocês terminarem de roubar. Os “home” aqui não "incomoda". Levem da pobreza os moveis, dinheiro, cartões e a dignidade. Ninguém aqui vai os vai parar. Aproveitem! Ora, não se acanhem, sempre tem lugar pra estupradores na nossa cidade. Vejam: garotas lindas, peitudas e “bundudas”, só pra vocês.
 Ah, mentirosos, que saudade vocês faziam. Que bom que vieram! Vocês também, preconceituosos, o que não falta é gente fraca por aqui, até porque a segurança é negativa na nossa cidade, a qual é propícia para a discriminação, falta de ética e descaso. É tão lindo o caos social!
 Não fiquem aí parados, mal-feitores de outros lugares, venham já pra cá! Ninguém os vai impedir de roubar ou espancar um ou dois fracos. Tudo é bem definido: se for cidadão de bem, apanha! Mas por favor, não se esqueçam, antes de tudo, de agradecer a quem vos propicia tão singela gentileza: os senhores políticos!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Minha garota.

 
Sinto falta, garota, do teu jeito de moleca. De tuas risadas de criança, daqueles olhos que se encantam com o mais simples presente de todos. Estou com saudades da tua força e da tua pureza. Volto logo pra te encontrar, garota. Lá naquele lugar, onde nós sempre íamos quando éramos crianças, quando tínhamos inocência... Amo tanto essa cor dos teus olhos, garota, e sua voz tão suave. Ah, como me faz falta. 
Esteja me esperando quando eu chegar. E use aquele vestido amarelo, com sorrisos bordados, o qual você usava quando eu te olhei pela primeira vez. Estarei usando aquela camisa branca, lisa, que você tanto gosta. Eu sei que parece possessão, pode até ser, mas eu acho que sempre vou te chamar de minha garota, mesmo quando todos os traços da bela juventude saírem do teu corpo. Seu jeito de moleca, eu sei, irá me acompanhar pra sempre, onde quer que ele acabe...

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Sentada no banco.


O vento soprava forte naquela tarde. A garota estava no banco de madeira, esperando por um rapaz. Os jornais ali perto a distraíam enquanto ele não chegava. "Ele disse que viria depois do trabalho", pensou ela. Cruzou a perna direita, olhou pro lado: não era ele. Olhava para todos os rostos que passavam por ali. Gostava de observar. Cruzou a perna esquerda, olhou pra esquina: de novo não era ele. "Deve estar com problemas no trabalho." ela insistia em esperar. Estava usando seu vestido amarelo. Disfarçava sua insegurança. Suas mãos suavam, seus olhos estavam cansados, mas ela ainda esperava. O banco estava mais duro a cada hora que ele não chegava, nem ao menos dava sinal pelo celular. Mas ela não desistia. O vento bagunçava seu cabelo liso, loiro. Sua pele sofria com os raios fortes do sol, mirados bem nela. Mas mesmo assim, ela esperava. Já conhecia os rostos de todos os que ali passavam, perguntando se ela não queria ir pra casa, dizendo que ele não viria mais. Mas a cada nova pessoa que passava, ela que parecia ser a nova ali. Todos olhavam para seus sapatos claros e suas meias altas. Sua bolsa, pequenina, não atraía muitos olhares. Seus olhos ainda mostravam esperança, de que ele chegaria a qualquer momento e a pegaria pelos dedos.
Do outro lado da rua, um rapaz de barba, camisa branca e fone de ouvido, olhava de longe aquela garota, que tanto esperava. Ele já havia pensado em ir lá, sentar-se com ela, mas também esperava por alguém. Seus pés esquentavam com o tempo, sua paciência se ia. Seus olhos estavam tão cansados quanto os da garota, que ainda esperava, parada no banco, como uma criança esperando sua mãe tirá-la do castigo. Então veio uma vontade de levantar e ir embora. "Ela não virá mais" pensou ele, retirando-se do bar.
A garota, que agora olhava para baixo, ouviu passos em sua direção. De repente ouviu uma voz "olá". Olhou pra cima, para aquele rapaz de branco, que estendia sua mão para ela. Sorriu para ele e disse: "Finalmente você veio".

sábado, 26 de novembro de 2011

Envolto.


Luíz estava com seus amigos. Todos estavam sorrindo, conversando, mas mesmo assim ele não se sentia bem. Seus olhos estavam fixos num só ponto, talvez esse o que ele precisava para se sentir bem. Todos ao redor comiam e bebiam, falavam de suas aventuras e tropeços, mas Luíz ficava calado, sempre na dele. Não comia, hesitava até em pegar o garfo.
Sentia-se triste. E mais triste ainda por ser o único que, mesmo com todos a sua volta, sentia uma angústia enorme de não estar com ninguém. Ele não estava bem. Como qualquer um não estaria ao se sentir sozinho em meio a tantos. Luíz só queria mesmo ver o mar, sentir o vento - ou qualquer outro sentimento - que o fizesse sair daquele vazio, que o tirasse daquela solidão. Só queria um abraço de uma só pessoa. Aí sim, ele se sentiria completo.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Carta Resposta

                                                                                                    Brejo Santo, CE 23/11/11

    Amigo K,

    Estive longe de você por mais de um ano. Vendo sua foto, vi que ficou melhor de cabelo cortado. Não sei você, mas de vez em quando eu me pego com uma pergunta que me fizeram: “do que você tem medo?” Sinceramente pensei muito e já sei o que responder. Mas só a ti. Por isso te escrevo.
    Tenho medo de não te encontrar mais, assim como não encontro mais a mim mesmo. Digo, eu não consigo mais me resolver sozinho. Tenho medo de cair no esquecimento de todos, principalmente no teu. Medo de não ser mais o garoto simpático e sorridente que era na sua idade. Também de ter que seguir em frente, como você também está tendo, aposto. De perder presentes e escritas importantes, como aquela carta que me mandou. Tudo está bem sim. Encontrei uma garota legal, você vai gostar de conhecê-la.
    Eu tenho medo mesmo é não saber prosseguir sem tua voz amiga, aconselhando-me quando preciso. Você consegue me acalmar com seus conselhos, meu amigo. Ah, que medo eu tenho de te perder...

                                                                                                                                    Afetivamente,
                                                                                                                            Kilder Kavalcante.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Apelo - Danton Trevisan.

Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa de esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.

Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, até o canário ficou mudo. Não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite eles se iam. Ficava só, sem o perdão de sua presença, última luz na varanda, a todas as aflições do dia.

Sentia falta da pequena briga pelo sal no tomate — meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa. Calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolha? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.

sábado, 12 de novembro de 2011

Rua 18 - Estupro da Gene

    Era tarde da noite e sempre que era tarde da noite, algo mágico acontecia na Rua 18: os prédios comentavam sobre os crimes que viam durante a madrugada naquela rua escura e vazia. O primeiro caso foi uma garota de 15 anos que foi estuprada.
             
       I – Estupro da Gene
   
    Tarde da noite, os prédios todos já se reuniam para a história da madrugada. O vento frio e a lua cheia davam um tom sombrio, o que deixava melhor ainda o conto. Começou então a contar, o Mercadinho...
    “Gene sempre passava por ali, ia comprar salgado na lanchonete para sua mãe. Era uma boa menina de 15 anos. Bonita, com belas curvas, olhos lindos. Não se sabe se era ou não inocente. Mas nessa idade as garotas gostam de chamar a atenção usando blusinhas decotadas e shortinhos bem curtos. Com Gene não era diferente. Ah, adolescentes inconsequentes. Eles mal sabem que existe tanta gente ruim quanto gente boa no mundo. E a pobre garota nunca percebeu que sempre que ela passava por um beco escuro, o Maníaco da Rua 18 a observava sedento por ela.
    Ele era um dos mais procurados da cidade. Ficava observando as vítimas por alguns dias até que, sempre na sexta-feira, aparecia de surpresa e as agarrava fortemente pelo pescoço, até ficarem inconscientes. Depois as levava a um quartinho, de onde se ouvia uma canção do Nirvana, Polly. Esperava que elas acordassem e depois alisava seu cabelo, e descia a mão por todo o corpo. Então marcava seus seios com os dentes, abria suas pernas e começava o serviço. Depois que tinha seu prazer satisfeito, matava e deixava o corpo na janela, para que todos vissem ao amanhecer.
     Quando Gene voltava, na sexta, da lanchonete, não percebeu que estava sendo seguida. De repente o homem a pegou por trás e a deixou inconsciente. Levou-a para um quarto e começou seu ritual. Gene ainda estava desacordada quando ele tocou as primeiras notas da canção: ‘Polly wants a cracker... ’ quando abriu os olhos entrou em desespero: estava nua, amarrada pelos pulsos e toda nua. Suas pernas não estavam amarradas, mas ela não conseguia mexê-las. O homem caminhou até ela, alisou seu cabelo loiro e desceu a mão pelo seu corpo branco e liso. ‘Que pecado gostoso’ disse o homem enquanto olhava para seus olhos claros. Ele passou as mãos em seus seios, redondos como taças de vinho. Deu a primeira mordida, no seio esquerdo, fazendo-a gritar alto. Que pena que ninguém poderia ouvir. A rua sem segurança, apenas prédios comerciais. Depois, violentamente abriu as pernas dela, e enfiou com tanta força que ela soltou um gemido fraco de dor, como um pedido de socorro. Sangrou um pouco, era virgem. Mais um detalhe sobre ele: só escolhia as virgens. Ele tinha lá seus truques de como descobrir, mas isso não vai constar aqui. No outro dia encontraram seu corpo na janela, com a marca do maldito em seu peito.“

Até quando as garotas de todo o país vão sofrer com isso? Não sei dizer, mas estamos longe desse dia. Pelo menos enquanto os assassinos estiverem à solta e ninguém nunca se importar.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Somos.


"Somos os filhos da revolução
Somos burgueses sem religião
Somos o futuro da nação
Geração Coca-Cola"

sábado, 29 de outubro de 2011

Sim

"Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser."

(Ricardo Reis)

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Eu e meus conflitos psicológicos.

 Hobbies.

    Eu tenho um vício. Quem é que não tem, não é mesmo? Vícios são como hobbies, mas nem sempre são saudáveis. O meu só parece ser saudável para mim, eu acho. Talvez nem para mim, mas não importa. Eu não o consigo fazer parar, acho que ninguém consegue. Até porque você nunca quer parar, esse o problema (ou não) de quem é viciado em algo.
    Existem muitos tipos de vicio: roleta, sexo, tem gente que é viciado em solidão, outros são viciados em festas e barulho. O meu tem sempre que ser o mais solitário e silencioso possível. Está na lista daqueles que nem sequer podem ser citados em uma lista. Eles são segredos que você esconde ou não de todos, ou só de alguns. Algumas vezes conta para o pai, um amigo mais próximo, um irmão. Mas eu não pretendo contar o meu pra ninguém, tento esconder até de mim mesmo. Vai morrer comigo.
    Embora eu seja mesmo um tagarela, nem bêbado isso vai sair de minha boca. É um grande segredo, como outros bem secretos que eu guardo somente para mim, e mais ninguém. Aliás, quem não gosta de um mistério, não é mesmo?

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Eu e meus conflitos psicológicos.

   
O corredor.

    Caminhando calmamente percebo que ali a frente um rapaz corre. Um corrido afobado, cansado. Por que será que corre aquele rapaz? Será que está atrasado para o jantar? Vai ver só corre por correr, por ser um bom exercício, o qual eu nunca pratiquei.
    Seria muito o seu correr, se eu não tivesse percebido que ele olhava para trás, como se alguém o perseguisse, com medo nas pernas. Sua respiração deveria estar acelerada. Aquele homem que corre fortemente. Deve correr por algo importante. Pode ser que esteja fugindo de alguém, sim deve ser isso. Mas eu não vejo o seu rosto.
    De repente, percebo que ele não é o único que corre ali. Eu também corria. E corria fortemente, como aquele rapaz lá na frente, que parecia desesperado agora. Então é isso, ele corre de mim. Oh, Deus. O que será que ele me fez? Por qual motivo eu o estaria perseguindo, ou ele estar fugindo de mim? Ele quase tropeça nas próprias pernas. Tortas, por sinal. Eu chego cada vez mais perto dele, e isso parece o incomodar bastante. Eu só quero saber o que está havendo. O que o está afetando.
    Finalmente consigo acompanhá-lo. Ofegante ele tenta se desvencilhar de meu braço que o segura com força. Quando olho no seu rosto, surpresa! Aquele era eu. E eu dizia para o outro eu que não se pode fugir de si mesmo. Um dia você vai ter que se aceitar e conviver com todos os seus defeitos e qualidades. Que um dia a máscara cai e você vai ter que saber como viver sem ela. Ninguém pode viver fugindo de seus fantasmas, problemas e medos.  Um dia tudo vem abaixo, e você terá que saber como enfrentar.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Eu e meus conflitos psicológicos.

 
        Há momentos em que você não consegue esconder mais o fato de não se importar com algumas situações que geralmente as pessoas dão muita importância. Eu fico um pouco confuso com o que realmente vale à pena se importar. Pessoas se reclamam todos os dias do mesmo problema, das mesmas pessoas, mas nunca, nunca fazem nada pra mudar, ou tentar melhorar. Nem pra servir de consolo servem. Só querem falar e falar... Nunca querem te ouvir.
        Como demonstrar interesse quando não se está interessado? Eu tento descobrir como ajudar, mas são problemas tão fúteis que talvez a solução seja sorrir e dizer qualquer frase sem sentido. Qualquer palavra que tenha certo poder. Assim talvez, e provavelmente, obtenha-se uma resposta melhor elaborada para o problema fútil em questão. As pessoas gostam do que causa impacto, do que venha a ser misterioso. Acham bonito tudo que não entendem bem, pelo fato de que servirá para algo mais na frente. Porque sempre uma frase impactante causa isso nas pessoas. Elas vão querer buscar respostas a partir de uma sentença qualquer, desde que as impressionem.
        Minha mente abrange muitos pensamentos, nem sempre são os melhores. O que penso, nem sempre digo. Mas o que digo, foi bem pensado. Estou tentando descobrir porque muita gente ainda se importa com quem não merece. Com quem não se importa. Vai ver seja por amor, ou por qualquer outro sentimento que exista entre eles. Eu sou adepto da desistência, mas de vez em quando gosto de um esforço, de tentar achar um algo mais.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Só detalhes

Toda essa tua beleza,
toda essas curvas, 
que me deixam a visão turva,
De nada valem, tenho certeza
Sem essa tua essência
que me envenena
e que me cura.
São só detalhes minha querida
Seios, pernas, curvas...
Sem esse brilho em teus olhos
sem esse sorriso em teu rosto
esse cheiro que me dá vida.
Essas curvas de nada valem
sem teu encanto de 15 anos.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Do passado ao presente

Brejo Santo,  CE - 12/10/2011

Querido K,

Lembro-me daqueles velhos tempos em que corríamos pela rua, depois de tocar uma ou duas campainhas de casas alheias. Das nossas partidas de futebol no meio da rua, ferindo nossos pés no calçamento disforme dos paralelepípedos. De quando nossos problemas eram apenas comer, dormir e comprar cartinhas de Yu-Gi-Oh... Até tenho saudades daquele tempo. Mas agora sei que já estais muito a frente disso.

Só quero te pedir que nunca esqueça do que já fomos, e nem daquilo que já fizemos. Que guarde sempre dentro de você, essa memória de mim. Do nosso passado. Que nunca deixe morrer o seu sonho de criança, que eu ainda lembro muito bem qual é... Espero que você não deixe pra lá as brincadeiras, as paixonites, os velhos amigos, porque sim, esses são os verdadeiros, os que estiveram conosco sempre, desde o dia em que aprendemos a ser gente. Deve seguir em frente, sim, mas não perca a magia de ser criança novamente. Porque a infância só vem uma vez, e depois tudo vira lembrança. Como aquelas partidas de botão, ou os campeonatos de quem fala menos besteira, ha-ha... Ficávamos sempre empatados.

Enfim, estou torcendo pra você ter um bom futuro. Numa boa faculdade, com bons amigos, novos e velhos. Se der, melhore esse seu problema que sempre teve com as garotas. E por favor, nunca se esqueça do seu pequeno amigo, que eu sei que está dentro do seu peito, para sempre.

Carinhosamente,
Kilder Cavalcante.

domingo, 9 de outubro de 2011

Amor: Humor

                                             



            Amor         Amor   Amor         Amor      AmorAmor           AmorAmor   AmorAmorAmor  AmorAmorAmor
            Amor         Amor   Amor         Amor      Amor  Amor        Amor  Amor  Amor         Amor   Amor           Amor
            Amor         Amor   Amor         Amor      Amor   Amor      Amor   Amor  Amor         Amor   Amor           Amor
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            AmorAmorAmor  Amor         Amor      Amor       Amor Amor    Amor  Amor          Amor  Amor            Amor
            Amor          Amor   Amor         Amor     Amor             Amor         Amor   Amor         Amor   Amor             Amor
            Amor          Amor   AmorAmorAmor    Amor                                Amor   Amor         Amor   Amor               Amor 
            Amor          Amor   AmorAmorAmor    Amor                                 Amor  AmorAmorAmor  Amor                Amor




Para demonstrar o quanto, para mim, o amor é engraçado. Inspirado no texto de Oswald de Andrade, cujo título é "Amor" e o corpo do texto é "Humor".

Bella rosa


Sim, haverá amor se você quiser.
Aceite esse amor meu
Permita-me envolver-te em meus braços 
e te sentir em meus abraços.
E corresponda.
Não me deixe sem uma resposta.

Oh, "Réponds à ma tendresse..."
Não me deixe, não me deixe
não me deixe sem saber

Venha ser a minha musa
responda-me
corresponda-me
disponha-se sobre mim.
Oh, sobre mim...

Minha bela morena de olhos escuros...

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Venha, minha peixinha

Simplesmente olho pra ela e falo?
chega e fala, não há mais pra q ficar se maltratando
vamo comprar um refri..
vamo ver os peixes
Vamo ali olhar as estrelas
A Lua esta tao linda hoje...
e os peixinhos querem refri...
Vamos conversar um pouco
ver os peixes, eles estão lindos... como vc meu amor !
As estrelas brilham... Assim como seus olhos.
e o ar fresco,com o perfume dos peixes nessa piscina,oscilam meu ser...
me faz te amar mais e mais , minha querida
venha , venha minha peixinha

Poema feito pelo msn, por Mariana Dantas e eu. Preferi não modificar a escrita, perderia a graça que tem. Então ficou nisso, esperamos que gostem.

Carta de Vargas (Datilografada)

“Mais uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam; e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes.
Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fi z-me chefe de uma revolução e venci.
Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo.
A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a Justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios.
Quis criar a liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobras, mal começa esta a funcionar a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o povo seja independente.


Assumi o governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia a ponto de sermos obrigados a ceder.
Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo e renunciando a mim mesmo, para defender o povo que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar a não ser o meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida.
Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos.
Quando vos vilipendiarem, sentireis no meu pensamento a força para a reação.
Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com perdão. E aos que pensam que me derrotam respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo, de quem fui escravo, não mais será escravo de ninguém.
Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue terá o preço do seu resgate.
Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história.”


terça-feira, 4 de outubro de 2011

A última morte

Andy era um matador de aluguel, dos bons, que só sentia amor por uma pessoa: o seu pai. Já que sua mãe os abandonou e deixou seu pai muito mal. O seu último encontro com sua mãe, Elizabeth, foi mesmo o último. Ele a matou, a pedido de um cliente que lhe pagou muito bem. Eu tinha que contar isso, ou então não iriam entender a história, já que esse não é o começo...

           Andy estava deitado na cama. Era aniversário de seu velho e ele planejava fazer uma festinha.
           "Vinho, massa e um porco assado." Estava lembrando da última festa com os pais ainda juntos. "Sorria para a foto, Andy." dizia sua mãe.
           Era sempre assim nas festas: todo mundo sorria e fingia que tudo estava bem, mas Andy sabia o que se passava com os pais. Aquilo era só para enganar os amigos e vizinhos. O casamento deles estava por um tris. 
           Agora ele queria se concentrar na festa do pai. Iria chamar os velhos amigos, os fiéis funcionários do Cassino e também algumas garotas para animar. "Com certeza ele vai gostar disso."
           Ele não sabia, mas seu pai estava a caminho de sua casa. Precisava contar algo importante ao filho, que certamente gostaria de saber.
           Um envelope apareceu embaixo da porta e Andy pensou: "Ah, logo hoje?" Pegou o envelope e colocou na cama, pensando se abria ou não. Embora não quisesse, a tentação de abri-lo foi mais forte. Seu rosto ficou pálido. Sua respiração instável. Ele não queria acreditar.
           Andy soltou a foto e pegou a arma. Apontou para sua cabeça e atirou. 
           O seu pai chegou ao prédio e subiu. Além de Andy, ele era o único que tinha a chave. Estava muito animado, mas sua expressão mudou quando ele viu o corpo do filho no chão, rodeado de sangue. Ligou para uma ambulância, ele sempre foi calmo, pedindo socorro. Na parede, viu algumas fotos, inclusive a de sua ex-mulher, e a data em que ela morreu. "Então foi ele..."
           "Quando retiraram meu filho dali, eu vi que tinham outras fotos jogadas, provavelmente mais vítimas. E surpresa, encontrei uma foto minha ali. Eu seria o próximo então, mas o Andy não teve coragem de me matar. Preferiu sua morte à minha. Filho, onde quer que esteja, saiba que eu o amo." E as lágrimas do pai se deram a cair.
           Ao nascer do sol, Johnny Owes foi à sepultura do filho. O vento estava fraco, quase uma brisa. Mantendo os olhos no céu, sentiu essa brisa bater no seu rosto, e sorrindo falou: "Sim meu filho, você é meu maior orgulho." e voltou para casa feliz.  
            O vento soprou de novo, fazendo as folhas descobrirem a frase da lápide dele, que dizia: "Porque se em toda a vida, tivermos o orgulho e respeito de alguém que amamos, qualquer trabalho, loucura ou besteira, valerá a pena. Pai, eu te respeito, mas acima de tudo, eu te amo."

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Isso não é tudo


Ontem seu olhar me cortava em partes
iguais enquanto me fixava 
vagarosamente.
 
 E o seu sorriso era de um grande
resplendor, porque não
é sempre que tu
me sorris
 assim.
 
Seu abraço foi tão quente e 
apertado que me deu
vontade de não
te soltar
mais

Porque você sabe que sua pele
morena é de toda maciez
que eu preciso pra
me perder
em ti

Talvez você me entenda,
talvez não.
Isso é tudo

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Na Ilha de Avalon

Por lá faz frrrrio
P
   o
       r
     l
 á
 c
    o
        r
          r
             e
           u
        m 
    r
   i 
  o

Onde as tentações são mais doces
       Onde o céu está mais perto
       Lá na Ilha de Avalon.
 
É lá onde se encontram
                       Os sonhos perdidos
Os móveis movidos
Os versos incompreendidos...
É lá onde se escondem
Os tesouros descobertos, 
Os segredos mais discretos
Os prazeres mais incertos...
 
Não há motivo de correria por lá.
T       u     d      o      p     a     s      s      a      d     e     v       a     g      a     r

Pra quê se apressar?
Temos ainda muito pra viver
E nesse muito eu ainda vou encontrar você. 

V O C Ê !

As formas vão nos guiar
Por caminhos diferentes, mas pro mesmo lugar
É lá que vou te encontrar
É lá que vais me olhar.

Na Ilha de Avalon.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Os pequenos e os grandes animais

A vida é assim: os animais grandes
sempre pegam os 
                                                                   pequenos
E os pequenos não têm nem chance de defesa
O Brasil vai nesse caminho
mesmo
Nenhum dos grandes se importa
com quem mais sofre

Compram, vendem, emprestam e tomam (roubam)
Os pequenos animais nem ao menos são ouvidos

Enquanto os projetos educacionais afundam
                        na lama
O salário dos grandões voa nas alturas.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Vem me encontrar


Estou um pouco confuso
O caminho está diferente
Não sei se aceito ou recuso
A trajetória distinta da gente.

Venha me buscar aqui
Onde sempre faz frio
Onde sempre te pedi
Que me provocasse arrepio.

Estamos tão perto
E ainda assim tão distante
De chegar a estar certo
Pensando ser errante.

Venha ser perfeita
E plena como és
Venha ver, suspeita,
Como sangram meus pés.

Um pouco de Fernando Pessoa.

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
                  Fernando Pessoa

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Como brinco...



Tu me queres em teu ouvido?
Eu posso te sussurrar...
Te contar baixinho:
"Não te esconderei nada,
e nem fugirei de ti,
mesmo que esteja armada."

Vou ser os teus conselhos.
Serei-te como um tudo,
Um ar descontrolado
Uma mão amiga
um homem ao seu lado.

Serei teus sonhos belos,
e teu brilho ao luar.
Serei tua agonia,
e teu medo de amar...


OBS: Para o novo você 

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Pessoas

 
"Existem pessoas que nunca vão desistir de você, essas ai você agarra forte."
(Kilder Cavalcante)

domingo, 7 de agosto de 2011

Novo você.


Gosto-te, eu acho.
Não mais você de antes.
É agora outro você, um você de agora.
Outro você, escute-me:
Gosto-te.
Amo-te.
Sirvo-te.
Carrego-te, comigo.
Escuto-te.
Falo-te.
Vivo-te.
Pego-te e solto.
Deixo-te flutuar, livro-te de mim.
E depois te agarro novamente.
Novo você, escuta-me:
Sonho-te.
E morro-te.
Eternamente viverei-te.
Víve-mes também?

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Falou por muitos


"Posso perder um round mas não fujo da luta"

Tonho Crocco, depois de compor um rap criticando a aceitação do "reajuste" do salário dos deputados estaduais do Rio Grande do Sul, que aumentaria em 73%, recebeu a notificação sobre a representação movida pelo deputado federal Giovani Cherini no Ministério Público, que seria processado. Em sua defesa, ele diz: 
"O processo diz que eu feri a honra dos deputados, mas para mim isso é censura. Todo brasileiro tem direito de se manifestar e criticar o que julga estar errado. Acho que os deputados não gostaram da forma irônica como eu me referi ao assunto." 

Eu sinceramente admiro esse cara, ele falou por muitos brasileiros, que sofrem todos os dias com esse tipo de sem-vergonhice. Na letra, ele cita: "Pra eles beneficios, pro povo migalha". Ele cita o nome dos 36 deputados que votaram "sim", contra 11 que votaram contra. Incrível como no Brasil processam quem fala a verdade, quando quem mente continua no poder, ganhando dinheiro e rindo da nossa cara de idiota.
Tem que ver melhor isso aí, porque do jeito que está não pode ficar.

domingo, 31 de julho de 2011

Antes de eu morrer...


Quero pintar meu cabelo de verde;
Escrever um livro;
Juntar uns amigos num feriado, pra ouvir um blues, conversar e beber um pouco;
Passar em Jornalismo;
Conhecer amigos distantes e outras culturas e nacionalidades;
Iniciar um relacionamento pra sentir como é;
Terminar um relacionamento pra sentir como é;
Nunca precisar ver meus amigos irem antes de mim;
Ser admirado por aqueles que amo;
Ser criticado, elogiado, exaltado ou rebaixado;
Satisfazer-me do que a vida pode me dar;
Ir a um show do Pearl Jam ou Aerosmith;
Comprar discos de diversos artistas pra ouvir em casa;

Aah... Tem tanta coisa que eu quero fazer antes de morrer, mas eu poderei
fazer todas, apenas se conquistar meu lugar, merecer tudo e todos que amo, respeitar e exigir respeito.
Enquanto ainda estou aqui, vou planejando como fazer tudo isso.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Noite anormal

 "Você já sentiu como se estivesse sendo vigiada em seu próprio quarto?", foi o que Clara me perguntou naquela noite. Eu sentia que ela não estava bem. Suas pupilas estavam dilatadas, ela suava muito e se assustava a cada esquina. Ela dizia que sentia, sempre em lugares escuros, que alguém a estava vigiando na escuridão  esperando que ela dormisse, para dar a ultima cartada. Naquela noite seria o fim.
 Ela estava em casa, sentada na cama e vendo a novela, quando escutou passos la dentro. Ficou com medo e resolveu sair. Procurou um lugar movimentado e claro, para tentar fugir do que a perseguia. Via muitos rostos e luzes, mas mesmo assim não conseguia esquecer. Um sussurro em sua mente dizia: "Volte, Clara..." Ela ficou com medo e andou mais depressa. O sussurro agora era uma voz e a cada beco que agora ela passava, via uma sombra que a perseguia. Corria sem rumo, chorando e limpando a vista, igual a um para-brisa na chuva.
 Viu uma casinha com luzes acesas. Bateu, mas não tinha ninguém. Entrou pela janela. La dentro era calmo, quente e bonito. Tinha uma lareira acesa, o frio era intenso naquela região. Mais uma vez ouviu a voz, agora mais alta. Voltou a ouvir passos, que vinham de fora da casa. "Ele esta vindo." Bateu nela um desespero e ela olhou pra todos os cantos. Encontrou um banheiro, onde se trancou imediatamente. A porta da entrada rangeu, "ele esta aqui", pensou. Segurou o choro, enquanto ouvia os moveis serem revirados e o espelho quebrar. Clara sentia muito medo, queria gritar mas não podia. Viu uma banheira cheia d'água. Como não havia janelas no banheiro, era questão de tempo que o perseguidor a encontrasse, não viu outra maneira: tirou a roupa, entrou na banheira e afundou todo o corpo. Com um pouco de medo, foi deixando a água entrar em seus pulmões, como finos punhais de gelo que os perfuravam. Não durou muito e a dor passou. Logo veio a paz.
 La na sala tudo estava como antes: quente, calmo e bonito. Não havia nada quebrado ou jogado, nem ninguém ali. Tudo não passou do medo que ela sentia. Clara sempre fora paranoica e pensava que iria ser cruelmente morta a qualquer instante por algum ser maldito. No teto do banheiro, o qual seus olhos claros e mortos ainda miravam, estava escrito: "Is all in your mind".


Para o Bloínquês.

domingo, 24 de julho de 2011

Ha, C'est mon monde de soleil



Last of The English Roses (Pete Doherty)
 
Querida, querida
Como você ficava legal vestindo
Aquele velho cachecol verde da sua mãe
Com as famosas calças da tia Arthur
Você levava uma da que batia
E como a gente ria
Mas ela ria mais alto
Ah, em 93
Dava para enfeitiçar as abelhas

"Prepotente" você dizia, e a gente dava risada
Passeando pelo parquinho

"Atrevida" você dizia, e a gente ria
Passeando pelo parquinho

Em 1994
Todos nós cantávamos
Pulando e dançando de mãos dadas
É, com todos os rapazes juntos
E todas as moças juntas

Ela é a última das rosas inglesas
Ela é a última das rosas inglesas

(Eu queria estar bem acordado de novo)
Ela sabe distinguir Rodneys de Stanleys
E Kappas de Reeboks
E sabe diferenciar os malandros dos bons
E Winstons de Enoks
Está bem, e pegue o que eu
Estou saindo, vivendo

Em volta da mesa de sinuca
Você dança ao som de Frutti-Tutti

Ela quase derramou a bebida
Lindas garotas brindando

Mas o final se mexeu
Chegando a idade, voltando à vida
Todos os rapazes juntos
Todas as moças juntas

Ela é a última das rosas inglesas
Ela é a última das rosas inglesas
É, ela é a última das rosas inglesas
Ela é a última, a última das rosas inglesas
Rosas inglesas

Ah, às vezes não se pode mudar
Não haverá lugar
Essa noite, na minha casa
Finalmente eu conto com você
Eu te levo a rosa misteriosa
Você é a rosa misteriosa?
Ah, vamos
É o meu mundo de sol

sábado, 23 de julho de 2011

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Um dia qualquer.

 Era meu aniversário, numa linda manhã de domingo. Ouvia os pássaros cantando, o vento soprando as folhas, que de secas caíam ao chão. Minha janela estava iluminada pelo sol que nascia no leste, parecia sorrir para mim. Minha mãe estava preparando tudo, com ajuda de minhas irmãs mais novas. Seria um ótimo dia.
 Embora tudo estivesse bem, eu estava assustado. Na noite anterior um terrível pesadelo não me deixou dormir em paz. Eu tinha que esquecer dele e me manter animado. Saí com dois amigos e deixei as mulheres cuidarem de tudo - elas preferiram assim.
 Fomos num parque novo, onde tinha um túnel do terror, cujo estávamos com muita vontade de ir. O vendedor da entrada era meio sinistro, deu um arrepio quando ele disse: "Cuidado onde pisa..." e me olhou com seus olhos cansados. Lá dentro a visão era pouca. Cada um entrava por uma porta diferente e se encontrava no caminho. Eu via uns vultos e ouvia vozes: "Volte para casa..." mas achei que era efeito do túnel. Um grito me assustou: "Ah não, Clarisse!" corri em direção ao lugar de onde viera o grito e quase despenquei: ela estava totalmente sem água no corpo. No piso eu pude ler: "Drain You" (Drenar-te). Minha surpresa foi quando lembrei do que o velho disse. "Então era isso!"
 Andei mais um pouco, procurando por Caio, e tive outro susto, pior que o primeiro: eu vi escrito no piso: "I want to tie you! Crucify you!" (Eu quero amarrar você! Crucificar você!) e ele estava lá, pregado numa cruz, amarrado pelo pescoço e cintura. "Meu Deus, o que é isso? Preciso sair logo daqui!" por sorte encontrei a saída daquele maldito túnel.
 Fui correndo pra casa, já era noite e começava a chover. Quando abri a porta, não aguentei: minhas duas irmãs estavam em cima da mesa, totalmente fatiadas, e minha mãe em cima da mesinha da sala, morta, molhada. Notei que havia uma banheira cheia de água, e na parede, escrito com sangue, lia-se: "I wanna bathe you, in holy water! I want to kill you, upon the alter!" (Eu quero te banhar em água benta! Eu quero te matar, em cima de um altar!)
 Deveria ter sido o melhor dia da minha vida, mas não foi. Desolado, fui pra cozinha, onde vi um senhor de preto, tomando chá. "Essa deve ser a minha hora" pensei. O senhor me convidou a olhar pro piso, onde tinha escrito: "Sit and drink Pennyroyal Tea!" (Sente e tome chá de poejo), sem mais nenhuma razão para continuar vivendo, sentei na cadeira, tomei do chá. Sombras me engoliram e eu parei de respirar.
 Amigos, esse foi meu último aniversário...




Conto para o bloínquês.

Veja...


...como seus braços brancos,
Acalmam feras ferozes
E arranca de  saltimbancos
seus saltos velozes.

Seus olhos castanho-escuro
Da cor da tempestade,
Demonstram naquele muro
sua tristeza e felicidade

Tens magias nos dedos
E amor no coração
E guarda seus segredos
escondidos na razão,

Forte e decidida
Como quem sabe o que quer
Tu mostras que tens vida
Esteja onde estiver.



PS.: Em especial  à minha querida Clara Vidal.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Temperatura Ambiente


 Em algum lugar ali perto, ele sabia que iria encontrar o que procurava, mas ainda temia. Não sabia se realmente queria encontrar, se saberia como reagir, como aceitar. Ele só queria que tudo fosse mais simples, que não tivesse que deixar uns para trás, enquanto outros tomavam sua frente.
 Procurava um lugar quente e calmo, onde pudesse ficar por enquanto, até que conseguisse superar todo o acontecido. As mentiras, ilusões... Ele queria dar adeus ao passado, escrever um novo futuro, enquanto olhava pro presente, e pensava em cada ato que iria fazer, e a cada sonho que ele tinha, uma folha de seu caderno era preenchida e assinada embaixo, com seu codinome estranho, mas que para ele era bom. "A pronúncia é boa" dizia ele.
 Muitas noites ele passara por maus sonhos, e até retratou alguns deles, mas agora ele quer esquecer tudo isso, o que o importa é como e com quem está, e com quem estará depois de um tempo, depois que a tempestade quente passar.
 É certo que vai sentir saudades - quem não sente? - talvez seja isso que ele mais tema: Sentir saudade dos velhos tempos. Mas o que está no passado raramente volta ao presente, o que se tem a fazer é renovar. Nunca refazer, e sim criar algo novo tendo como base o que foi feito. É assim que ele quer continuar, é assim que ele vai tentar, sempre construindo novas pontes.
 Em algum lugar ele vai saber como conquistar tudo o que ele almeja, e aí, não restará nenhuma dúvida: Tudo vai ficar mais fácil e visível aos olhos dele.

Long Live to Rock 'n Roll!!


Rock não é música pra dançar, e nem pra sair rebolando uma bunda do tamanho de uma jaca!
É feito com a cabeça, sentimento, inspiração.
Não serve só pra atrair flashes e dinheiro da mídia.
É pra te fazer sentir. No solo do Page, na voz do Kurt, e nas letras do Renato!
É o tipo de música que não precisa de apelação para se fazer histórica.
E nem de roupinhas bonitas que chamam mais atenção que a própria banda.
Não dizer: "Eu amo todos vocês" e fazer s2s2.
Os maiores ídolos do rock mostram o dedo, a língua, gritam e transmitem emoção!
E nenhum fã se sente ofendido, porque sabem que é este o jeito de eles serem felizes.
É assim que os roqueiros gostam de demonstrar sua satisfação em estar fazendo música.
Morrem entalados no próprio vômito, sofrem várias overdoses e não morrem, tipo o Ozzy.
Cara, Rock é isso! É fuder, gritar, emocionar com as letras e os solos de guitarra, como o Led fez com
Stairway to Heaven, ou o Slash nos seus solos que nem ele sabe direito fazer!
Enfim, Rock é isso.
Essa nova geração não passa de garotinhos querendo fama e roupas.
É como diz o Renato em Love in The Afternoon: "Os bons morrem jovens."
Mas ainda existem muitos ainda ativos, que não deixaram a correia soltar, e seguem firme com rock:
AC/DC, Aerosmith,  Capital, Pearl Jam... enfim, se eu fosse citar todas demoraria muito.
O fato é que o Rock 'n Roll ainda continua vivo, tanto nas bandas quanto na alma de todos os roqueiros.Vivos e mortos.

Um dia do Rock muito foda pra todos! 
"Long Live to Rock 'n Roll"

segunda-feira, 11 de julho de 2011

"Eu não vou pirar!"


Lithium (Nirvana)

Eu estou tão feliz
Porque hoje eu encontrei meus amigos
Eles estão na minha mente
Eu sou tão feio, mas tudo bem,
Você também é, quebramos nossos espelhos
Manhã de domingo é todo dia
Me importo com tudo e não estou com medo
Acendo minhas velas, com deslumbre
Pois encontrei Deus
Yeah, Yeah

Eu estou tão só, mas tudo bem
Eu raspei minha cabeça e não estou triste
E apenas talvez, eu deva ser culpado
Por tudo que ouvi, Mas eu não tenho certeza
Estou tão empolgado
Eu não posso esperar para te encontrar lá , mas eu não me preocupo
Estou tão excitado
Mas está tudo bem, minha intenção é boa
Yeah, Yeah


Eu gosto - eu não vou pirar
Eu sinto sua falta - eu não vou pirar
Eu te amo - eu não vou pirar
Eu te matei - eu não vou pirar

Eu estou tão feliz
Porque hoje eu encontrei meus amigos
Eles estão na minha mente
Eu sou tão feio, mas tudo bem, você também é
Quebramos nossos espelhos
Manhã de domingo é como todos os dias
E eu não estou com medo
Acendo minhas velas, com deslumbre
Pois encontrei Deus
Yeah, Yeah
 
Eu gosto - eu não vou pirar
Eu sinto sua falta - eu não vou pirar
Eu te amo - eu não vou pirar
Eu te matei - eu não vou pirar

sexta-feira, 8 de julho de 2011

La mano del celeste


Vivenciem os nuances,
Corroborem ao infinito,
Apostem nos lances,
No que parecer bonito

Aceitem suas qualidades
Exultem seus defeitos
Defendam suas verdades
E avaliem seus feitos.

Amem uns aos outros,
Conheçam a si mesmos,
Estejam sempre envoltos
De bons e maus preceitos.

Esqueçam os perigos,
Avancem no sinal,
Se sintam protegidos
Pela mão celestial.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

That Place


 Eu estou meio perdido. Não sei mais aquele caminho, daquele lugar que você me falou. Eu preciso encontrá-lo, você pode me ajudar? Aquele lugar onde nós podemos sempre descansar, sem nos preocuparmos com nada, nem ninguém. Leve-me para lá. Eu não consigo enxergar o caminho. "Claro", disse ela. Pegou-me pela mão e conduziu-me entre as folhas e os raios do sol...
 Até que eu ouvi o som de água corrente: "É aquele rio, da água mais pura." Ela me lembrou de que costumávamos correr para ali, nos momentos de fraqueza, e que aquela bebida mágica nos fazia melhorar. Uma bela canção soava: harpas, violinos e um piano...
 "Dance comigo", peguei-a pela mão, olhei em seus olhos castanhos, de brilho intenso... "Ensine-me", ela me falou. E ao doce som daquela melodia, fomos dançando e esquecendo o que nos fazia mal.
 Depois de um tempo, nossa decisão foi unânime: "Vamos ficar por aqui. Não precisamos de ninguém, além de nós mesmos!" Foi o que saiu de nossas bocas, ao mesmo tempo. E ali ficamos ao som do rio, esperando a Lua descer e nos desejar boa noite...

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Tentativa...


Os tempos mudam direto
Às vezes está frio
Às vezes está correto
Às vezes seguem o rio...

Meu tempo vai e volta
Corre e para
Se endireita e entorta
Mas sempre me sara.

O sonho tem seu tempo
A vida também tem
E existe o contratempo

Os olhos miram o sol
Às vezes estão frios
Como as águas dos rios.

domingo, 3 de julho de 2011

Dia bonito

Bom, como não consigo pensar em nada novo por enquanto, trago aqui um poema do meu antigo blog, o qual não uso mais. Espero que gostem, foi dos primórdios de minha escrita.


Hoje acordei diferente
Uma coisa que jamais senti
Vontade louca de sorrir
Te aquecer num riso ardente

Tomar um banho frio
Num belo dia de sol
Ver nascer este farol
E morrer junto ao rio

Percorrer todo o mundo
Sem sair do lugar
Segundo após segundo

E ver a noite chegar
Deitado sob as árvores
Em plena Madagascar.

sábado, 2 de julho de 2011

Não dá


Eu não gosto disso.
Eu não gosto de gostar de você, não tanto assim.
Eu vejo suas fotos, e isso só piora.
Eu sei que você não sente o mesmo, eu sei que pra você só é amizade...

Não adianta eu te dizer palavras bonitas,
ou te fazer belos gestos, não adianta mesmo.
Não vai mudar nada, eu sei que não vai.
Mas por que ainda faço isso?
Por que me maltrato tanto assim?
Que tipo de amor eu sinto por mim mesmo?

Eu não quero gostar de você, mas querer não é poder.
Eu sou covarde, não tenho coragem de dizer.
Eu não me sinto feliz com isso tudo.
Não mesmo.

Desculpem-me a demora toda.
Acho que por mais tempo nada novo dará as caras aqui.
Meu espírito não tem tanta luz como antes.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

L.U.D. (Light Upside Down)

           Eu tinha desligado o computador e estava escovando os dentes, como sempre faço antes de dormir. Estava quente e fui beber água, mas no caminho, algo estranho ocorreu: eu me vi. Não era nenhum reflexo. Não havia espelho ali no escuro do banheiro. Achei meio estranho, mas não dei muita atenção. Bebi a água e fui pro quarto. Apaguei a luz e deitei.
           Lembro que sonhava que estava numa cama, ouvindo uma música do Latino, enquanto girava de um lado a outro, inquieto com o movimento da cama, que girava comigo. Ouvi batidas na porta. Não, não era minha vó. As batidas eram ritmadas. Três em sequência, repetidas quatro vezes. Fiquei assustado, afinal não é sempre que se ouve alguém (talvez não humano) bater à sua porta, num ritmo tão bonito. Tentei voltar a dormir, pensando em bons momentos, mas o som delas ainda estava em minha mente.
           De repente tudo ficou escuro. Eu não consegui mais me mexer. Uma força inexplicável me empurrava contra a cama, e tudo parecia estar em câmera lenta, até meus pensamentos. Tentei gritar, mas a voz não saía. Ao invés disso, era como se alguém tentasse invadir brutalmente meu corpo, violando a lei da física, que diz que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. Mas do nada parou, "ainda bem" eu suspirei aliviado. Pena que não durou muito. De novo eu não podia me mexer. Mas dessa vez senti uma mão no meu pescoço, e outra que puxava meu punho direito para cima. Tinha uma força descomunal e dizia algumas palavras: "Olhem o que eu consegui..." foi o que consegui entender. Com um esforço a mais, mexi meu pescoço. Tudo voltou ao normal, pelo menos por enquanto...


*Para o bloínquês.

domingo, 19 de junho de 2011

Moi


Nós não podemos lutar contra o invisível.
Não podemos matar o imortal.
Existe diferença entre não sentir e não demonstrar.
Mas eu realmente não sei se não sinto ou se não demonstro.
É como se nada mais me importasse.
E eu tento. Fortemente eu tento me importar.
Mas não consigo sentir nada por ninguém.
As pessoas me amam demais, e isso me deixa mal, por não saber
como retribuir esse tanto amor.
Eu juro que sempre tentei. De verdade.
Tentei criar, aperfeiçoar, moldar...
Mas não deu.
É algo que tem que vim de dentro. E mudar por fora.
Eu não posso mais lutar contra isso.
Eu vou apenas aceitar, e continuar a vida.
Como se nada disso tivesse acontecido.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Immagina


Imagine-me.
Imagine que estou ao seu lado,
te abraçando ou beijando,
ou simplesmente te olhando.
Apenas me imagine.
Nos momentos tristes, de saudade,
nos alegres, e nos de tédio...
Imagine-me contigo.
E te contando o que se passa por mim
por minha mente diferente.
Se não me tem em físico,
que me imagine em sua cabeça,
do jeito que você mais gosta.
Imagine-se.